7 de outubro de 2026 19:04

ETEC de Tangará da Serra conquista cerca de R$ 185 mil da FAPEMAT para seis projetos de pesquisa e inovação

Assessoria de Imprensa

Projetos envolvem professores e estudantes do ensino médio técnico e buscam soluções para desafios da agricultura, sustentabilidade e tecnologia em Mato Grosso

A Escola Técnica Estadual de Tangará da Serra conquistou um importante resultado na área de ciência, tecnologia e inovação. Seis projetos de pesquisa desenvolvidos por professores e estudantes da instituição foram contemplados com fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT), totalizando aproximadamente R$ 185 mil em investimentos.

A conquista coloca em evidência o trabalho desenvolvido pela ETEC na formação de jovens pesquisadores e reforça o papel da educação profissional na produção de conhecimento e no desenvolvimento de soluções para problemas reais da sociedade e do setor produtivo.

Os seis projetos contemplam áreas estratégicas para Mato Grosso, como agricultura inteligente, uso racional da água, bioinsumos, fertilidade do solo, produção agrícola, sustentabilidade, aproveitamento de resíduos e desenvolvimento de tecnologias de baixo custo.

Estudantes do ensino médio participando da pesquisa científica

Um dos principais diferenciais das iniciativas é a participação direta dos estudantes. Os alunos da ETEC, ainda durante o ensino médio técnico, têm a oportunidade de atuar como jovens pesquisadores, acompanhando etapas que vão desde o planejamento dos experimentos até a construção de protótipos, coleta e análise de dados e divulgação dos resultados.

Para a diretora da ETEC Tangará da Serra, Wérica, a conquista representa o reconhecimento do trabalho desenvolvido por professores e estudantes.

“É uma grande satisfação ver nossos professores e estudantes tendo seus projetos reconhecidos e recebendo recursos para desenvolver pesquisas. Nossos alunos ainda estão no ensino médio técnico, mas já estão produzindo conhecimento, desenvolvendo tecnologias e buscando soluções para problemas reais da nossa região.”

Segundo a diretora, o resultado também possui importância para Tangará da Serra.

“Nossa região tem uma forte vocação agrícola, e a escola técnica tem um papel importante na formação de profissionais que compreendam essa realidade. Quando conseguimos colocar nossos estudantes em contato com a pesquisa científica, estamos formando profissionais mais preparados e também contribuindo para o desenvolvimento da nossa cidade e do nosso Estado.”

Seis projetos, diferentes soluções

Entre os projetos está o AgroMaker 3D – Robótica e Agricultura Inteligente aplicada ao uso racional da água na agricultura escolar e familiar, coordenado pelo professor Dr. Fernando Xavier de Assis, com participação do professor mestrando Luiz Otávio Perin e estudantes bolsistas.

A pesquisa pretende desenvolver protótipos tecnológicos de baixo custo, como sistema inteligente de irrigação, estação meteorológica escolar e sensores de umidade do solo conectados a microcontroladores. Os próprios estudantes participarão da construção, programação e validação dos equipamentos em áreas experimentais da escola.

O BioSmart Agro – Desenvolvimento e validação de um biofertilizante organomineral multifuncional com microrganismos benéficos para agricultura sustentável, coordenado pelos professores Daniel da Cruz Rocha e Dr. Fernando Xavier de Assis, cujo objetivo é desenvolver e avaliar formulações de baixo custo capazes de contribuir para o manejo da fertilidade do solo.

A pesquisa utilizará o tomateiro como cultura indicadora e avaliará aspectos como crescimento das plantas, desenvolvimento radicular, biomassa, eficiência no uso dos nutrientes e custos de produção.

Outro projeto é o BioGarlic MT – Avaliação de Cultivares de Alho Associadas a Biofertilizantes e Microrganismos Promotores do Crescimento Vegetal nas Condições de Tangará da Serra – MT.

A pesquisa avaliará três cultivares de alho e seu comportamento nas condições locais, além de investigar a utilização de biofertilizantes e microrganismos benéficos. O objetivo é gerar informações que possam contribuir para novas pesquisas e para a avaliação do potencial da cultura como alternativa de diversificação produtiva para agricultores familiares.

Tecnologia para economizar água

O HydroGel Agro MT – Desenvolvimento e Validação de um Hidrogel Agrícola Biodegradável de Baixo Custo para Retenção de Água no Solo também integra os projetos financiados.

Coordenado pelos professores Dr. Fernando Xavier de Assis e Mestrando Daniel da Cruz Rocha, o projeto busca desenvolver um material biodegradável capaz de aumentar a retenção de água no solo.

Serão estudadas diferentes formulações, incluindo materiais à base de amido de mandioca, gelatina, glicerina, fibra de coco e biochar, além da comparação com um hidrogel agrícola comercial.

A pesquisa avaliará a capacidade de absorção e retenção de água dos materiais e, posteriormente, seus efeitos sobre a umidade do solo, necessidade de irrigação e desenvolvimento das plantas.

A proposta possui especial relevância para regiões que enfrentam períodos de menor disponibilidade hídrica e busca desenvolver uma solução de baixo custo e potencialmente acessível à agricultura familiar.

Sustentabilidade e difusão do conhecimento

O projeto AgroTec Sustentável – Inovação e Difusão de Práticas Agrícolas Sustentáveis no Estado de Mato Grosso amplia a atuação da escola para além dos experimentos realizados em sua área experimental.

A iniciativa conta com a participação das professoras Dra. Elinez da Silva Rocha e Dra. Leila Aoyama, do professor M.e Milton Mauad, de Tiago Dias, do mestrando Daniel da Cruz Rocha e do professor Dr. Raimundo França, além de estudantes bolsistas.

O projeto busca aproximar os estudantes das práticas agrícolas sustentáveis adotadas em Mato Grosso, promovendo contato com experiências reais de produtores e utilizando também ferramentas de comunicação para divulgar o conhecimento produzido.

Entre as estratégias está a produção de vídeos, entrevistas e conteúdos de divulgação científica, permitindo que os resultados ultrapassem os limites da escola e alcancem produtores, estudantes, profissionais do setor agropecuário e a comunidade.

Resíduos que se transformam em pesquisa

O sexto projeto, BIOGONGO – Gongocompostagem Enriquecida com Microrganismos Eficientes para Produção de Substratos Biológicos, é coordenado pelas professoras Dra. Elinez da Silva Rocha e M.a Ellen Barnabé, com participação de estudantes bolsistas.

A pesquisa propõe utilizar a gongocompostagem para transformar resíduos vegetais em substratos destinados à produção de mudas, avaliando ainda a associação com Microrganismos Eficientes (EM).

Durante o experimento serão acompanhados parâmetros como temperatura, umidade, pH, condutividade elétrica, redução do volume dos resíduos e tempo de estabilização. Posteriormente, os substratos serão utilizados na produção de mudas de alface para avaliar seu desempenho.

Além da contribuição científica, o projeto apresenta potencial ambiental ao estimular o aproveitamento de resíduos vegetais, a economia circular e a transformação de materiais de baixo valor em produtos úteis para a agricultura.

Pesquisa que contribui para o desenvolvimento de Tangará da Serra

Os seis projetos apresentam características diferentes, mas têm um ponto em comum: aproximam a ciência da realidade regional.

As pesquisas utilizam a própria estrutura da ETEC como espaço de experimentação e possibilitam que os estudantes tenham contato com metodologias científicas e tecnologias que podem futuramente ser aplicadas ou aperfeiçoadas.

Os projetos também poderão resultar em protótipos, protocolos, materiais didáticos, unidades demonstrativas, dados científicos e novas oportunidades de pesquisa.

Para a direção da escola, o investimento da FAPEMAT representa uma conquista coletiva.

“Esse resultado é fruto do trabalho dos nossos professores, pesquisadores, estudantes e de toda a equipe da escola. Ter seis projetos contemplados e aproximadamente R$ 185 mil destinados à pesquisa mostra que a educação profissional pode produzir ciência de qualidade e, principalmente, formar jovens que já estão pensando em soluções para os desafios da nossa região.”

A diretora destaca ainda que a conquista beneficia não somente a comunidade escolar.

“Quando uma escola técnica produz pesquisa, quem ganha não é somente o aluno. Ganha a escola, ganha Tangará da Serra e ganha Mato Grosso. Estamos formando estudantes que aprendem a investigar, testar, analisar e propor soluções. É uma formação que ultrapassa a sala de aula.”

Com o apoio da FAPEMAT, no âmbito das políticas de ciência, tecnologia e inovação do Estado, os seis projetos fortalecem a presença da pesquisa científica na educação profissional e mostram o potencial dos estudantes da rede pública estadual.

A iniciativa consolida a ETEC Tangará da Serra como espaço de formação, pesquisa e inovação, demonstrando que a ciência pode começar ainda no ensino médio e estar diretamente conectada às necessidades da comunidade, da agricultura e do desenvolvimento regional

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